Lacieverso

fogáreu

lume – 13

Eles estavam demorando.
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Leise remexeu o lenço em seu colo mais uma vez, torcendo-o. Cada volta era um minuto em que Ehre a deixara, indo buscar seu irmão ele mesmo. Leise fora contra — afinal, ele era o marido dela —, mas Ehre era um espírito livre, e dificilmente obedecia aos seus comandos. Seu chá esfriava, já que ela esperava que ele retornasse.
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Mais uma torcida do lenço.
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— Está tudo bem, senhora?
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Leise conhecia muito bem os empregados do castelo, afinal, era responsável por eles, mas aquela em especial a tirava do sério. Era a forma que suas palavras deslizavam de sua língua, como seus olhares não se desviavam de si. Fazia Leise tremer com um sentimento que borbulhava seu estômago.
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— Há quanto tempo trabalha para mim, Heika?
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— Quase um ano, senhora.
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A jovem se aproximou, e Leise a encarou ainda sentada. Heika usava o uniforme padrão, com o hábito cobrindo os cabelos castanho escuros e sua pele parda sendo escondida pelos tecidos. Mas eram aqueles olhos — aquele olhar castanho rubicundo que a tirava do sério. Ela era uma boa funcionária, no final das contas. Ainda que tivesse um defeito gritante, a princesa tinha de admitir que como serva, Heika era um exemplo ideal. Não se manifestava em horas impróprias, sua presença era quase invisível e dedicada, além da força necessária para fazer todo o serviço pesado. O que Leise apreciava era o silêncio de sua companhia, mas… às vezes…
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Às vezes, Leise a encontrava olhando para si com olhos famintos, e ela não sabia o que dizer, porque todas as vezes, aquele sorriso de canto a incendiava.
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— Então sabe que não estou de bom humor, Heika.
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Esperava que aquilo concluísse a conversa, mas sentiu os passos da outra atrás do sofá em que se sentava, e cada um estimulava seu coração a bater mais rápido. Sentiu a respiração dela sobre seu ouvido, e a sua própria falhar sob seu comando.
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— Não pode ficar sozinha, princesa — ela suspirou.
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— Não estou sozinha — retrucou com a voz arfante.
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— Está desprotegida sem seu marido. Por que o futuro Rei tem tempo para buscar seu irmão, mas não para deitar-se com a esposa que permanece intocada?
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Leise se virou de imediato, o rubor indo de encontro com suas bochechas violentamente, enquanto aquele sorriso…
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Aquele sorriso triunfante próximo a si.
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— Como ousa falar assim com sua princesa?
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— Falar como, esposa?
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Leise nem reparou que a porta fora aberta mais uma vez, e Ehre adentrou o recinto, seguido de Faryeh. A raiva que sentiu ao ver o menor apenas se comparava com o alívio de ver o marido, e ele sentar-se ao seu lado, enquanto o príncipe sentava-se no sofá em frente a eles, os mirando com aquele olhar tão assustado.
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— Fiz algo de errado?
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— Não, não… Está tudo bem. — Leise virou-se para Heika. — Traga Caroline, por favor.
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— Por que Caroline? — Ehre questionou.
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— Quero saber dela como anda seu treinamento — Leise comandou, enquanto sentia as mãos de Ehre buscarem sua cintura, e o calor a aquecia, mas não saciava o fogo que se iniciara com as palavras de Heika em seu ouvido. Sua orelha por inteiro parecia queimar. E sabia, que se olhasse para trás, para ver Heika se retirando silenciosamente do cômodo, veria aquele maldito sorriso em seu rosto.
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Maldita não-humana.
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A mulher veio logo em seguida, e Heika serviu mais chá para o menor, enquanto Ehre se refrescava do calor do dia com um fermentado de lúpulo vindo de Leiva. Faryeh não encarou a tutora, e Leise sorriu. Apesar de ser irmão de Ehre, Faryeh era uma coisinha assustada, e sabia que Caroline daria um jeito em qualquer semente rebelde que poderia nascer. Ele deveria ser um fantoche do irmão, apenas continuando seu legado quando a Vida finalmente findasse a história de Ehre. Ainda assim, Leise tinha esperanças de que aquele “herdeiro” se tornasse inútil quando seu ventre fosse abençoado. E ele seria. Era apenas questão de tempo.
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— Não acredito que ele esteja pronto, Vossa Alteza. Príncipe Faryeh ainda tem muito a aprender sobre etiqueta, para começar.
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O olhar do outro era aterrorizado, e Leise se sentia confortada em sua escolha. Seu cunhado era uma criaturinha assombrada.
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— Decerto então podemos adiar por outro ano… Ou talvez… aliviar o fardo de Faryeh, Ehre… — Ehre encarou-a, sem entender. — É quase impossível esperar que um rapaz “de fora” possa ser seu herdeiro… Talvez se tentarmos algum outro método…
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— Leise, querida. — Ele segurou em suas mãos e as beijou delicadamente. — Sei que não confia em meu irmão, mas Faryeh está pronto. Ao menos, tão pronto quanto pode estar no momento. Sei que ele não a decepcionará, e ele precisa ser apresentado à sociedade. Preciso que ele comece a fazer sua parte por este Reino.
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— Ehre… Bem, se você acredita tanto assim, posso dar-lhe uma chance.
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Caroline apenas assentiu, mas Leise sabia que ela também não estava satisfeita.
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— Faça uma revisão duplamente dura, Caroline, e vamos aproveitar a troca de estações para comemorar seu aniversário, Faryeh. — Virou-se para o mais novo, que ainda estava mudo diante a discussão. — Finalmente, será um de nós.
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Mas seria mesmo…? Era a pergunta que se passava na mente da princesa, e ecoava na de Faryeh.
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Conseguiria ele performar tão bem quanto o era preciso?
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Deuses, Leise implorou. Que não haja nenhum incidente diplomático que cause mais uma guerra…
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