Lacieverso

fogáreu

lume – 15

Ele não estava pronto.
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O lenço em sua mão estava torcido além do necessário, mas era algo a manter suas mãos ocupadas e secas enquanto ele cumprimentava nobres de todos os lugares. A nobreza de Fogaréu não lhe era desconhecida, mas ele não podia interagir com ninguém até ser apresentado formalmente. Claro que gostaria de conhecer mais pessoas, mas os olhares dos jovens da sua idade eram iguais aos de seus pais: todos os julgavam por sua origem humilde, que não era desconhecida. Seu irmão sofria de um tratamento parecido, mas ele possuía a vantagem de ter ido para a guerra, e voltado como herói. Faryehh notava que assim que os cumprimentavam, as pessoas usavam panos e perfumes para limpar as mãos. Ficou quieto, por não saber o que fazer.
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Faça seu melhor, sua voz interior disse. Você consegue. É só não causar um incidente.
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— Não fique parado — a voz de Leise veio por detrás dele. — Você está sendo esquisito. Agora virá a comitiva de Leiva. Preste atenção na princesa, porque ela pode vir a ser sua noiva.
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— Não vamos noivar ele antes do tempo, Leise — Ehre se juntou à conversa sussurrada.
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— É o dever dele.
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— É o dever dele se divertir esta noite, querida. — E ele pegou na mão da princesa, levando-a aos lábios e beijando as costas dele sobre a luva. — E nós também.
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— Não pense que ganhará sempre com seus galanteios — Leise retrucou, mas o rubor em suas bochechas era genuíno. — Quer apenas acabar com os cumprimentos para que possa beber.
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— Não posso dizer que não aproveitei a minha apresentação à sociedade de maneira correta…
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— Como assim? — Faryehh perguntou. A cerimônia de seu irmão havia sido um pouco antes de que ele viesse ao palácio, mas era a primeira vez que ouvia que seu irmão havia farreado um pouco demais.
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— Perguntas para outro momento. — E seu irmão virou-se para a porta principal do salão, que era decorada com tinta de ouro e prata em desenhos que mostravam as deusas entregando o sol e a lua, e dela saiu a comitiva de Leiva.
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A primeira coisa que Faryehh notou foi o verde em suas roupas — em vários tons, assim como marrom e amarelo, como um pequeno campo de flores floridas na primavera. Quem estava na frente era a princesa… Cleia, Faryehh se recordou, que era a herdeira e soberana do Reino de Leiva, apesar de ser bastante jovem. Seus pais morreram em uma batalha durante a Guerra, e agora a moça de pouca idade reinava sobre o maior território daquela Terra. Cleia tinha um olhar decidido para eles, e se movia com a ajuda de um assistente, que segurava a cauda de seu longo vestido, para que ele não se arrastasse no chão. Dois guardas estavam ao seu lado, e o que mais impressionou Faryehh não foram o porte ou as armas atrás de suas costas, e sim a aparência: eles claramente eram não-humano. O rapaz mais alto tinha o porte de um homem alto, mas ao mesmo tempo, suas feições eram tais quais as de um falcão, com o bicho dourado e seu cabelo escuro sendo confundindo com as penas azuis e cinzentas que nasciam de seu pescoço e nuca. O outro era mais baixo, mas tinha as feições felinas, e manchas tigradas por todo o corpo visível.
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Faryehh ficou sem palavras, porque a princesa não parecia incomodada com aquilo. Cleia apenas deixou sua comitiva e subiu os degraus até onde eles se encontravam, se movendo tão levemente quanto uma pena.
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— Vossa Majestade — Cleia se dirigiu a Leise e Ehre. — Sou a Princesa Cleia de Leiva, Regente das Terras Fluviais. Devo congratulá-los pelo casamento, e pela saúde de seu herdeiro. — Ela se virou para Faryehh. — Parabéns pela maioridade, Príncipe Faryehh. — E fez um cortejo, que sem jeito, Faryehh retribuiu.
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Como é bonita, Faryehh pensou. E seu olhar decidido encanta mais ainda.
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— Obrigado, Princesa — Faryehh se enrolou em seu discurso ensaiado. — Eu que agradeço sua presença ilustre aqui.
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— Devo dar-lhe agora a pena de fênix? — a Princesa inquiriu, mostrando o pequeno pingente marfim em formato de pena. — Que alce voo, Príncipe Faryehh.
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— Ah, sim. Muito obrigado por este desejo. — Ele aceitou o pequeno objeto, que pertencia à coleção em sua cintura. Aquilo simbolizava a sua entrada à sociedade, e cada pena era uma pessoa que seria seu aliado, segundo a lenda. Colocou a peça junto às outras, mas encontrou a princesa ainda o observando com um sorriso no rosto. — Espero que aproveite a festa, princesa.
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— Claro que aproveitarei — ela sorriu. — Por favor, guarde uma dança para mim, príncipe.
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— Lógico. — Faryehh corou. — Eu quem deveria pedir…
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— Não se preocupe. Eu sou uma mulher decidida do que almejo. — Cleia sorriu. — Nos falamos mais tarde, príncipe.
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E ao se afastar, Leise soltou um arfar muito indignado.
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— Eu juro, Ehre…
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— Acalme-se, Leise. — O mais velho acariciou o verso das mãos de Leise. — Não aconteceu nada demais.
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— Seu irmão é um idiota, Ehre. — Ela suspirou. — Por favor, não desaponte agora, Faryehh. Precisamos do apoio de Maresia se queremos terminar a guerra contra os não-humano.
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É curioso haver uma guerra quando há membros da raça bem aqui, Faryehh pensou em dizer, mas preferia não apanhar no momento. Seu olhar foi para Cleia, que se ajeitava com seu grupo em um dos cantos, e o não-humano felino falava baixo alguma coisa para ela. Não teve tempo de questionar o quê quando a porta mais uma vez se abriu, e dessa vez, um rio pareceu se formar. As cores de Maresia eram diversos tons de azul, além de prata ser abundante, e branco como as nuvens do céu. Faryehh engoliu em seco, porque as pessoas à frente eram duas pessoas bastante distintas. O mais velho, que deveria ser Rei Otto, seguia com passos decididos e suas roupas militares em azul escuro, que era o mesmo tom da princesa Liebe, os dois com um tecido pesado como veludo, e Faryehh se perguntou se eles estariam sentindo calor, apesar da noite amena que fazia. Os dois possuíam longos cabelos dourados, sendo os da princesa arrumados em uma trança que caía sobre seu ombro direito desnudo, e os do Rei arrumados elegantemente para trás.
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— Que a Deusa Fênix abençoe o casal — foi a primeira coisa que ouviu o Rei Otto dizer em sua voz profunda e grossa. Faryehh sentiu-se corar pela intimidação e pela profundeza de seus olhos azuis. — E o pequeno, também. É bom vê-lo fora do campo de batalha, Ehre.
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— Digo o mesmo, Otto.
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— Ehre! — Leise reclamou.
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— Não se preocupe, princesa — Otto sorriu em sua direção. — Há laços que apenas o fogo da batalha pode forjar. E seu marido é incrível com uma espada em mãos. — Ehre sorriu também. — Por favor, depois lhe contarei algumas histórias sobre seu marido…
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— Não é necessário, Otto.
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— Ah, sempre o humilde, Sortudo. — Otto se virou para Faryehh, o avaliando de cima a baixo. — Este é seu irmão?
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— Sim. — Ehre sorriu.
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— Realmente, ele não parece com você.
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A afirmação pareceu atingir Faryehh como uma faca. Ele sempre achou que fosse parecido com o irmão, afinal, compartilhavam da mesma mãe e o mesmo pai. Mas Otto o encarava de uma forma diferente, como se soubesse de algo que o próprio não sabia.
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— Desculpe-me…
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— Pai… — a moça se pronunciou, enfim. — Não precisa se desculpar, príncipe Faryehh. Meu pai é um fanático por histórias, e sempre que tem uma bebida nos lábios a questão parece piorar.
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Faryehh voltou-se para ela, e ficou chocado com sua beleza. Desde os cabelos compridos e trançados com fios de ouro, aos olhos azuis e cílios dourados, o sorriso vermelho e gentil. Liebe parecia uma princesa de contos de fada, e ele se sentiu de repente muito aquém dela.
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— Ah, peço perdão pelo desaparecimento do meu filho. Ele é um imprestável mesmo.
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— Pai…
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— Sabe que é verdade, Liebe.
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Ah, era verdade. A comissão de Maresia anunciara que viria também o príncipe, irmão mais novo de Liebe, mas… qual era mesmo o nome do irmão de Liebe? Como era um nobre menor, Faryehh não conseguiu gravar, e agora, a memória o escapava. Faryehh manteve os lábios cerrados, certo de que o rapaz representava problemas, se não se importava ao menos de se encontrar com os anfitriões da festa.
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Será que o príncipe já odiava Faryehh…?
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— De qualquer forma, guarde uma dança para mim — Faryehh disse, de supetão, para Liebe. — Se… se possível, é claro.
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Ehre sorriu para Leise, que permaneceu com o rosto calmo.
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— Claro, Alteza. — Liebe sorriu, e os dois se retiraram para o salão.
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— Ah, o romance… — Ehre brincou.
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— Não comece — Faryehh o refutou.
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— Calem-se os dois. Ainda tem uma lista longa de convidados…
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Faryehh se empertigou, mas por dentro, desejava ser tão livre quanto os desejos que lhe ofertavam, e que pudesse alçar voo em breve…
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