fogáreu
lume – 16
Findados os preparativos e com as asas de Fênix quase completas, Faryeh foi dispensado dos cumprimentos para aproveitar a festa. Seu objetivo, no entanto, era conversar miúdos com os nobres, dançar com suas filhas. Seu objetivo pessoal, no entanto, era se aproximar da princesa de Maresia. Ele não sabia, mas havia algo nela, em seu olhar, que o fascinava. Deixou os servos encherem sua taça com vinho de uva, presente da comissão de Maresia, e o gosto doce e suave lhe deu alguma coragem.
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Quando ia falar com a princesa, no entanto, foi interceptado por outra.
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— Príncipe Faryeh — Cleia se aproximou de si, interrompendo sua caminhada. Atrás dela, os dois guardas não-humano, e um rapazote um pouco mais velho que eles com uma caderneta em mãos, parecendo agitado e nervoso.
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— Princesa Cleia — Faryeh se virou para ela. — Precisa de algo?
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— Gostaria de apresentá-lo à minha comitiva. — Ela sorriu, apontando para as pessoas atrás dela. — Meus guardas pessoais: Ainudden e Syshai. E meu assistente, Dena.
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— Prazer…
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— Agora, gostaria de cobrar aquela dança.
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— Agora? — Faryeh olhou para as pessoas, e parecia que Liebe aceitara dançar com um dos nobres de Fogaréu.
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— Se não for incômodo, é claro. — Cleia sorriu.
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— L-lógico que não é — se apressou em dizer. Ergueu a sua mão e ela a aceitou, os dois se dirigindo ao meio do salão decorado, em que mais pessoas já dançavam ao seu redor. Era uma música lenta, então a vergonha de Faryeh aumentou mais ainda.
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— Queria falar com você a sós, Faryeh — ela murmurou próximo a ele, ao mesmo tempo que ele tentava, com forças, lembrar dos passos da dança para não acabar pisando nos pés dela. — Sei que é um mundo novo para você.
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— Ah, sim… — Droga, por que aqueles passos eram tão complicados? — Desculpe! — pediu quando pisou no pé dela, enfim.
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— Não se preocupe, não esperava muito vindo de você.
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— O que quer dizer com isso? — Faryeh sentiu as bochechas corarem.
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— Que eu não me importo muito com etiquetas e condecorações — ela se apressou em dizer. — Quero que saiba que estou disposta a ser aliada de Fogaréu, vossa Alteza. Em mais jeitos do que um.
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— Como assim…?
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— Quero sugerir que nos juntemos em matrimônio — ela suspirou, parecendo incomodada. — Uma aliança forte entre nós do Sul contra os Reinos do Norte.
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— Mas… — Seu olhar vagou para onde Liebe valsava, seu vestido como uma cortina azul em meio ao mar de pessoas.
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— Não se importe com coisas como o amor — Cleia continuou. — Nós, da realeza, moldamos o futuro de nossos países. Amor e outras drogas do tipo… Não condizem conosco.
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— Mas Leise e Ehre se amam — Faryeh retrucou, quase automaticamente.
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— Uma joia rara em meio a centenas de pedregulhos — Cleia replicou. — E existe mesmo verdade em suas palavras, eu me pergunto?
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— Cleia…
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— Quero que apenas pense na minha proposta, príncipe. Um dia, entenderá o que eu digo sobre amor.
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A música terminou, e Cleia fez um meneio — Muito obrigada pela dança. Mas eu aconselharia a vossa Alteza treinar melhor seus passos.
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As bochechas de Faryeh se avermelharam quase do tom de seus olhos, enquanto Cleia se retirava. Ao seu redor, as pessoas se organizavam para uma nova dança, e Liebe se aproximou de Faryeh. Ele sorriu, se virando para ela, mas ela o rejeitou com um gesto da mão.
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— Não agora, príncipe. Preciso descansar os pés antes de enfrentar dançar contigo — Liebe sorriu, mas havia algo em sua voz, um tom quase jocoso. Faryeh sentiu-se duplamente derrotado.
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Claro, uma proposta de aliança era o que queriam, mas… Desde que vira Liebe, sentia que algo havia mudado em seu mundo. Suspirando, desistiu de dançar, e foi para um dos cantos, pegando um canapé e colocando-o na boca. Era aquele para quem a festa fora dada, mas sentia que na verdade, era apenas uma desculpa por acordos, tratados, alianças e desavenças. Ele fora preparado um ano inteiro para aquilo, mas no final sentia-se como um recém-nascido.
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Ele só queria aproveitar um pouco, no final das contas.
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Ouvindo as fofocas, uma lhe chamou atenção quando seu nome foi mencionado.
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— É verdade sobre as marcas dele?
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— São iguais às marcas de escravos?
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— Que belo príncipe pedinte…
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A vontade de gritar nascia na garganta, e quando reparou que ninguém o procurava mais, decidiu ir em uma das sacadas, que se encontrava sozinha, e com o vinho em mãos, apenas observou a festa, sentindo o ar noturno refrescar sua nuca. Virou-se para o céu, e as Três Irmãs estavam em festa, uma cheia e as outras sorrindo para ele. A aura, no entanto, trouxe palavras a seu ouvido:
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— Faryeh?
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E aquele chamado mudaria seu Destino por completo.
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