Lacieverso

fogáreu

brasas – 7

— Mestre… Está na hora de acordar.
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Apesar do pesadelo, as pestanas de Faryeh ainda estavam pesadas com o sono. Comparado com a noite anterior, o local em que repousava era uma nuvem de tão macia e confortável. Ele apenas se esfregou mais contra os lençóis, e abriu os olhos brevemente.
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O dia anterior não havia sido um sonho.
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— Fay… — a voz de Kalila estava próxima e seu tom era tão gentil, que quando suas mãos delicadas tocaram seus ombros, ele mal abriu os olhos. Estava deitado de bruços, e nu, porque o calor que sentira durante a noite o perturbara demais, e em algum momento da noite, suas roupas saíram de seu corpo. Ele se virou em direção à outra, os lençóis cobrindo sua intimidade, mas tão rápido quanto seus olhos se abriram eles se fecharam, sentindo a maciez da cama engoli-lo tanto quanto o sonho. Kalila deu uma risadinha. — Está tão cansado assim?
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— Mais um pouco… — ele murmurou contra os lençóis. Sabia que tinha de levantar, mas a cama era muito mais tentadora do que qualquer outra coisa que tivesse experimentado. Nem mesmo a fome que sentia o motivava a sair daquele conforto.
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— Posso te dar mais um pouco de tempo, mas lembre-se de que tem aula pela manhã. A instrutora não costuma ser gentil com alunos que se atrasam.
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— Hm…
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E foi a última coisa que ouviu antes de voltar a repousar, o sonho não retornando para assombrá-lo e a benção da escuridão cobriu seus olhos. O escuro o abraçou de tal forma que poderia ter passado entre cinco minutos ou dez horas, que ele não saberia dizer, no entanto, da próxima vez que foi acordado, a pessoa não foi tão gentil — e nem foi Kalila. A pessoa tocou em seus ombros, o trazendo mais perto à luz, mas somente quando seus lençóis foram puxados de maneira violenta, deixando à tona sua intimidade que Faryeh abriu os olhos em surpresa, e corou violentamente ao ver o olhar de Caroline enfurecido sobre si. A reação do príncipe foi agarrar um dos travesseiros e se cobrir o colo com ele, o rubor de suas bochechas apenas rivalizando pela raiva dos olhos da instrutora.
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— Pode ser um príncipe agora, Vossa Alteza — ela começou, com a voz baixa e perigosa. — Mas tem muito o que aprender. E começar o dia de forma preguiçosa é um hábito que devemos podar na raiz.
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Faryeh estava sem palavras. O constrangimento crescia de sua face para os membros inferiores, especialmente por se sentir tão nu e vulnerável. Ele apenas assentiu, por que mais o que faria além disso? Caroline se deu por satisfeita e virou-se para Kalila, que mantinha a cabeça baixa e envergonhada.
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— Prepare o banho de Vossa Alteza, Kalila, e me encontrem depois na sala de estudos.
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— Certo! — Kalila respondeu. Caroline deu mais um breve olhar para o rapaz sobre a cama, e saiu na mesma tempestade que entrou. Kalila deu um suspiro de alívio, e se curvou ainda mais. — Desculpe-me, Alteza, por não ter conseguido acordá-lo! Eu juro que tentei, mas o mestre não despertava por nada no mundo… e não tenho autoridade sobre Caroline…
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— Tudo bem, Kali — Faryeh sorriu, ainda se sentindo incomodado da invasão, apesar de tudo. Sabia que era um privilégio a vida que viveria a partir daquele momento, mas não sabia o preço real daquilo. Pela primeira vez tinha obrigações, o que era algo igualmente aterrorizador e empolgante. Agora, ele tinha um propósito, e poderia ser útil.
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Alguém precisava dele.
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Ehre precisava dele.
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— Certo… não vamos deixá-la esperando por mais tempo, então.  — Faryeh se ergueu, ainda segurando uma das almofadas contra seu ventre. — Para as termas?
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— Não, Fay — Kalila apontou para uma das milhares de portas de seu quarto. — Para o banheiro. Preparei seu banho aqui mesmo, como é o costume.
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Faryeh assentiu.
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— Muitas coisas novas a se acostumar, acho.
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— Não se preocupe que aprenderá tudo em seu devido tempo, Fay. — Kalila o guiou, aparentemente não se importando com sua nudez. — Sei que há muita pressão em seus ombros, e é bem jovem, mas irá conseguir orgulhar a todos se esforçar-se.
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— Não quero ser uma decepção…
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— Não será, Fay. Acredite em mim.
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O pequeno banheiro não era nada pequeno. Havia uma janela em uma das paredes em que podia se ver boa parte da cidade de Fogaréu, e até mesmo parte do muro derrubado. Ao longe, Faryeh conseguia até mesmo divisar as montanhas distantes de Aura. Faryeh se perdeu um pouco nos pensamentos, especialmente quando Kalila saiu do cômodo para que ele pudesse realizar as necessidades antes de se voltar para entrar na banheira dourada.
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— A água está gelada! — o adolescente reclamou. Kalila, ao ouvir aquilo, retornou.
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— Água quente é privilégio daqueles que acordam cedo, Vossa Alteza — ela brincou. — A água estava mais quente antes, por causa dos ventos acaba por esfriar. A própria Aura assoprou em sua banheira.
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Faryeh afundou-se mais na banheira, enquanto Kalila arrumava os sais de banho e os perfumes e uma espuma densa e branca subia até a superfície da banheira.
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— É estranho pensar que em Aura eles convivem diretamente com os não humanos. Será que não tem medo de serem atacados em seu sono?
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Kalila pareceu parar um pouco e hesitar.
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— Kali?
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— Tenho certeza de que não é uma preocupação recorrente — ela gaguejou. — Que tal este óleo para seus cabelos, mestre? Ele possui um cheiro delicado de maçãs. Combinaria com o mestre… sem falar que deixaria seu cabelo muito mais macio. Deixa-o comprido por causa da tradição?
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— De casamento? Sim. Minha mãe insistia que eu os mantivesse compridos…
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E as lembranças das mãos gentis de sua mãe, lavando as cinzas da ferraria de seus fios, desembaraçando os nós e calos de seu treinamento, era um carinho do qual Faryeh queria manter na memória de seu corpo, de uma forma tão visceral quanto sabia o seu próprio nome. Ele ficou em silêncio, os fantasmas dançando em sua pele. Kalila continuou a explicação.
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— É comum entre a nobreza os jovens de ambos os gêneros manterem seus cabelos compridos até a hora de encontrar a sua pessoa prometida, e durante a cerimônia de casamento, cortar um ao outro os fios para simbolizar uma nova vida juntos. Acho extremamente romântico!
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— Hmm — Faryeh deixou a cabeça pender enquanto a serva mexia em suas mechas, separando-as cada uma e aplicando o líquido leitoso e o cheiro de maçã invadindo suas narinas e permanecendo no ar. — Acho que posso continuar essa tradição. Apesar de ser trabalho cuidar desse cabelo enorme.
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— Eu irei cuidar dele com todo prazer, Fay. — Kalila ofereceu um sorriso para ele. — É o meu dever cuidar de você.
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Faryeh ergueu um pouco a cabeça e notou o sorriso da serva, enquanto ele sentia o coração aquecer.
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— Muito obrigado, Kalila.
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